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sábado, 19 de outubro de 2013

O Grafismo está no ar!

Vejam o resultado dos trabalhos de Grafite que fiz com as turmas do 9ºano, neste bimestre. Os sentimentos foram muitos, as ideias também: superação, amor, educação, manifestações sociais e perdas, e o resultado? MARAVILHOSO!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Grafite X Pichação - Quais as diferenças?


Existem diferenças gritantes entre essas duas manifestações. Meus alunos as classificaram como: "grafismo é arte e pichação é vandalismo!" Será esta a única diferença? A resposta veio de imediato: " NÃO!" "Grafismo é uma forma de expressão do artista, se ele tem algo para dizer, ele pinta na parede." E a Pichação? Também não é um modo de se expressar? Eles me responderam, com algumas dúvidas: "Sim." Então eu expliquei que podemos nos manifestar de diversos modos, mas devemos aceitar as críticas que poderão vir destas manifestações. As pichações tem um cunho mais agressivo, uma ideia de competição particular dentre os pichadores, um "gostinho" de proibido que empolga qualquer um e as vezes, sem significado. Já o Grafismo, também é proibido, mas já é mais aceito pela sociedade, pois não agride tanto e harmoniza os locais que são feitos. São bem coloridos, criativos, e tem um significado que entendemos. Mesmo que alguns não gostem dos desenhos, esta manifestação está a um passo de ser classificada como ARTE e de ser aceita definitivamente pela sociedade, esta já aceita o Grafismo na parede de sua casa e começa a dar valor ($) as obras agitando o mercado da arte brasileira.
Assistam ao vídeo abaixo e deem a sua opinião, ok?





segunda-feira, 6 de maio de 2013

Estamos começando o nosso 2º bimestre de 2013. Vamos iniciar percebendo a importância das artes visuais na vida do indivíduo e identificar artistas como agentes sociais de diferentes épocas e culturas. Assistam ao vídeo abaixo e respondam: O que vocês entenderam das frases escritas neste vídeo,  de vários autores diferentes, sobre o significado da arte?  Escolha uma das frases para explicar, com suas palavras, o que entendeu e escreva uma de sua autoria, que resuma a sua opinião sobre o que você pensa sobre o significado da arte para a nossa vida. VALENDO PONTO!

segunda-feira, 4 de março de 2013

O MODERNISMO NO BRASIL!

Enfim, depois de iniciado o ano letivo de 2013 e das devidas apresentações as turmas, entraremos no nosso conteúdo, referente ao E.F. 9ºano, que é o Modernismo. Este ano usaremos o nosso blog, como ferramenta de complementação de estudo, pois também, teremos uma apostila que nos ajudará a entender a nossa matéria. Teremos outras disciplinas junto com a nossa, ARTE, como História, e Português, assim uniremos forças para esmiuçar este tema que é de suma importância para a história do no país.
Iniciaremos com alguns vídeos que nos ajudarão nesta empreitada. Todos devem ser vistos e comentados, ok?
Este sobre o Modernismo.












Este sobre a Semana de Arte de 1922:

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Mensagem especial!


Chegamos a mais um final de ano letivo. Tantas novidades, aprendizados, sentimentos de incertezas e ao mesmo tempo de certezas. Vocês são capazes de irem muito mais além do que imaginam, basta acreditar em si mesmo. Um bom começo é o fato de desejarem ser algo nesta vida, fazer a diferença, por tanto FAÇAM, DESEJEM, SONHEM, REALIZEM, CONSTRUAM o que vocês quiserem  mas nunca se esqueçam de que SEM AMOR não conseguimos fazer, desejar, sonhar e construir nada.
 FELIZ 2013 PARA TODOS OS MEUS ALUNOS E PARA AQUELES QUE NOS ACOMPANHARAM NESTE ANO!
Assistam ao vídeo, da postagem intitulada: Feliz 2013, com uma mensagem de final de ano que selecionei para vocês.

Estou postando aqui o resultado de dois manifestos feitos pelos alunos da turma 902 do I.E.E.T.F. vejam e pensem sobre:
http://www.slideshare.net/mariaclarinha/copa-trabalho-de-artes
http://www.slideshare.net/mariaclarinha/price-tag-etiqueta-de-preo

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ok, última matéria do currículo mínimo do 9ºano. Expressões de ideias! Manifestos sobre a arte visual: o Antropofágico, o  da poesia Pau Brasil, o clamor pelo Modernismo e pela nossa brasilidade! Leiam, é esclarecedor e acima de tudo POÉTICO!

                       Oswald de Andrade Manifesto antropófago e Manifesto da poesia pau-brasil

ANDRADE, Oswald de. O manifesto antropófago. In: TELES, Gilberto Mendonça. Vanguarda européia e modernismo brasileiro: apresentação e crítica dos principais manifestos vanguardistas. 3ª ed. Petrópolis: Vozes; Brasília: INL, 1976. Comentário e hipertextos: Raquel R. Souza (FURG)

                                                       MANIFESTO DA POESIA PAU - BRASIL
A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são
fatos estéticos.
O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de
Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança.
Toda a história bandeirante e a história comercial do Brasil. O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos.
Comovente. Rui Barbosa: uma cartola na Senegâmbia. Tudo revertendo em riqueza. A riqueza dos bailes e das frases feitas. Negras de jockey. Odaliscas no Catumbi. Falar difícil.
O lado doutor. Fatalidade do primeiro branco aportado e dominando politicamente as selvas selvagens. O
bacharel. Não podemos deixar de ser doutos. Doutores. País de dores anônimas, de doutores anônimos. O Império foi assim. Eruditamos tudo. Esquecemos o gavião de penacho.
A nunca exportação de poesia. A poesia anda oculta nos cipós maliciosos da sabedoria. Nas lianas da saudade universitária.
Mas houve um estouro nos aprendimentos. Os homens que sabiam tudo se deformaram como borrachas
sopradas. Rebentaram.
A volta à especialização. Filósofos fazendo filosofia, críticos, crítica, donas de casa tratando de cozinha.
A Poesia para os poetas. Alegria dos que não sabem e descobrem.
Tinha havido a inversão de tudo, a invasão de tudo: o teatro de base e a luta no palco entre morais e imorais. A tese deve ser decidida em guerra de sociólogos, de homens de lei, gordos e dourados como Corpus Juris.
Ágil o teatro, filho do saltimbanco. Ágil e ilógico. Ágil o romance, nascido da invenção. Ágil a poesia.
A poesia Pau-Brasil, ágil e cândida. Como uma criança.
Uma sugestão de Blaise Cendrars: - Tendes as locomotivas cheias, ides partir. Um negro gira a manivela do desvio rotativo em que estais. O menor descuido vos fará partir na direção oposta ao vosso destino.
Contra o gabinetismo, a prática culta da vida. Engenheiros em vez de jurisconsultos, perdidos como chineses na genealogia das idéias.
A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.
Não há luta na terra de vocações acadêmicas. Há só fardas. Os futuristas e os outros.
Uma única luta - a luta pelo caminho. Dividamos: poesia de importação. E a Poesia Pau-Brasil, de exportação.
Houve um fenômeno de democratização estética nas cinco partes sábias do mundo. Instituíra-se o naturalismo.
Copiar. Quadro de carneiros que não fosse lã mesmo, não prestava. A interpretação no dicionário oral das Escolas de
Belas Artes queria dizer reproduzir igualzinho...Veio a pirogravura. As meninas de todos os lares ficaram artistas.
Apareceu a máquina fotográfica. E com todas as prerrogativas do cabelo grande, da caspa e da misteriosa genialidade de olho virado - o artista fotográfico.
Na música, o piano invadiu as saletas nuas, de folhinha na parede. Todas as meninas ficaram pianistas. Surgiu o piano de manivela, o piano de patas. A pleyela. E a ironia eslava compôs para a pleyela. Straviski.

A estatuária andou atrás. As procissões saíram novinhas das fábricas.
Só não se inventou uma máquina de fazer versos - a havia o poeta parnasiano.
Ora, a revolução indicou apenas que a arte voltava para as elites. E as elites começaram desmanchando. Duas fases: 1a) a deformação através do impressionismo, a fragmentação, o caos voluntário. De Cézanne e Malarrmé, Rodin e Debussy até agora. 2a) o lirismo, a apresentação no templo, os materiais, a inocência construtiva.
O Brasil profiteur. O Brasil doutor. E a coincidência da primeira construção brasileira no movimento de
reconstrução geral. Poesia Pau-Brasil.
Como a época é miraculosa, as leis nasceram do próprio rotamento dinâmico dos fatores destrutivos.
A síntese
O equilíbrio
O acabamento de carrosserie
A invenção
A surpresa
Uma nova perspectiva
Uma nova escala
Qualquer esforço natural nesse sentido será bom. Poesia Pau-Brasil.
O trabalho contra o detalhe naturalista - pela síntese; contra a morbidez romântica - pelo equilíbrio geômetra e pelo acabamento técnico; contra a cópia, pela invenção e pela surpresa.
Uma nova perspectiva.
A nova, a de Paolo Ucello criou o naturalismo de apogeu. Era uma ilusão de ótica. Os objetos distantes não
diminuíam. Era uma lei de aparência. Ora, o momento é de reação à aparência. Reação à cópia. Substituir a
perspectiva visual e naturalista por uma perspectiva de outra ordem: sentimental, intelectual,
irônica, ingênua.
Uma nova escala:
A outra, a de um mundo proporcionado e catalogado com letras nos livros, crianças nos colos. O reclame
produzindo letras maiores que torres. E as novas formas da indústria, da viação, da aviação. Postes. Gasômetros Rails.
Laboratórios e oficinas técnicas. Vozes e tics de fios e ondas e fulgurações. Estrelas familiarizadas com negativos fotográficos. O correspondente da surpresa física em arte.
A reação contra o assunto invasor, diverso da finalidade. A peça de tese era um arranjo monstruoso. O romance de idéias, uma mistura. O quadro histórico, uma aberração. A escultura eloqüente, um pavor sem sentido.
Nossa época anuncia a volta ao sentido puro.
Um quadro são linhas e cores. A estatuária são volumes sob a luz.
A Poesia Pau-Brasil é uma sala de jantar das gaiolas, um sujeito magro compondo uma valsa para flauta e a
Maricota lendo o jornal. No jornal anda todo o presente.
Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão do mundo. Ver com olhos livres.
Temos a base dupla e presente - a floresta e a escola. A raça crédula e dualista e a geometria, a álgebra e a
química logo depois da mamadeira e do chá de erva-doce. Um misto de "dorme nenê que o bicho vem pegá" e de equações.
Uma visão que bata nos cilindros dos moinhos, nas turbinas elétricas, nas usinas produtoras, nas questões
cambiais, sem perder de vista o Museu Nacional. Pau-Brasil.
Obuses de elevadores, cubos de arranha-céus e a sábia preguiça solar. A reza. O Carnaval. A energia íntima. O sabiá. A hospitalidade um pouco sensual, amorosa. A saudade dos pajés e os campos de aviação militar. Pau-Brasil.

O trabalho da geração futurista foi ciclópico. Acertar o relógio império da literatura nacional.
Realizada essa etapa, o problema é outro. Ser regional e puro em sua época.
O estado de inocência substituindo o estado de graça que pode ser uma atitude do espírito.
O contrapeso da originalidade nativa para inutilizar a adesão acadêmica.
A reação contra todas as indigestões de sabedoria. O melhor de nossa tradição lírica. O melhor de nossa
demonstração moderna.
Apenas brasileiros de nossa época. O necessário de química, de mecânica, de economia e de balística. Tudo digerido. Sem meeting cultural. Práticos. Experimentais. Poetas. Sem reminiscências livrescas. Sem comparações de apoio. Sem pesquisa etimológica. Sem ontologia.
Bárbaros, crédulos, pitorescos e meigos. Leitores de jornais. Pau-Brasil. A floresta e a escola. O Museu
Nacional. A cozinha, o minério e a dança. A vegetação. Pau-Brasil.
                                                                                                                      Oswald de Andrade
                                                                                                (Correio da Manhã, 18 de março de 1924.)
                                                                MANIFESTO ANTROPÓFAGO
Só a ANTROPOFAGIA nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.
Tupi, or not tupi that is the question.
Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.
Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitos postos em
drama. Freud acabou com o enigma mulher e com os sustos da psicologia impressa.
O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará.
Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande1.
Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil2.
Uma consciência participante, uma rítmica religiosa.
Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar.
Queremos a Revolução Caraíba3. Maior que a revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.
A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.
1Selva amazônica; na mitologia indígena da amazônia, "cobra grande" é o espírito das águas. Esta entidade foi motivo de um longo poema antropófago, Cobra Norato (1931), de Raul Bopp (1898/1984), que, ao lado de Macunaíma (1928), de Mário de Andrade (1893/1945), compõe exemplos da antropofagia oswaldiana.
2 Referência à extensão continental do país e à necessidade de resolver os problemas lingüísticos no Brasil, se pautava pela tradição lusitana, ignorando as especificidades do país. Retomada, sob outro ângulo, da grande polêmica por José de Alencar (1829 / 1877), na vigência do Romantismo brasileiro no século XIX.
3 Oswald idealiza a união dos indígenas através do vocábulo caraíba, que designa tanto uma das comunidades indígenas com as quais os primeiros portugueses tomaram contato à época do Descobrimento do país, que viviam mais ao norte, quanto uma grande família lingüística a que pertenciam várias tribos brasileiras mais ao sul.


Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre. Montaigne. O homem natural. Rosseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos.
Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.
Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.
Contra o Padre Vieira4. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto disseralhe: ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.
O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina
antropofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.
Só podemos atender ao mundo orecular.
Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação
permanente do Tabu em totem.
Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vítima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.
Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.
O instinto Caraíba.
Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência.
Conhecimento. Antropofagia.
Contra as elites vegetais5. Em comunicação com o solo.
Nunca fomos catequizados. Fizemos foi o Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses6.
Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.
Catiti Catiti7
Imara Notiá
Notiá Imara
Ipeju8
A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.
Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade.
Esse homem chama-se Galli Mathias. Comi-o.
4Antônio Vieira (1608/1697), lisboeta de nascimento, fez seus estudos com os jesuítas na Bahia, ordenando-se aos 26 anos. Tinha idéias avançadas para sua época e devido a elas foi inúmeras vezes criticado. Oswald de Andrade refere-se, aqui, à investida políticoeconômica
na exploração do açúcar maranhense, à época do período colonial, o que beneficiou apenas a metrópole portuguesa, deixando em franca miséria a então colônia.
5Referência à elite intelectual que busca copiar os modelos europeus, em exclusão do sentimento de "brasilidade". Neste sentido, os vegetais são entendidos como seres vivos sem mobilidade, o que equivale a dizer sem a capacidade crítica que fomenta as mudanças.
6Junção, numa única referência, da produção romanesca indianista de José Martiniano de Alencar (1829/1877), escritor romântico brasileiro de reconhecido valor, com a ópera O guarani, do músico também romântico Antônio Carlos Gomes (1836/1896), cujo libreto foi escrito a partir do romance homônimo de Alencar. Em ambos textos o herói indígena, Peri, tem atitudes cavalheirescas em consonância aos grandes senhores portugueses.
7 Catiti catiti/ Imara Notiá / Notiá Imara / Ipeju: pequeno "poema" em língua indígena, a qual, pelo apelo sonoro e lúdico, é aproximada da estética surrealista. Couto Magalhães traduziu por: Lua nova, ó Lua Nova! Assoprai em lembranças de mim; eis-me aqui, estou em vossa presença; fazei com que eu tão somente ocupe seu coração.
8"Lua Nova, ó Lua Nova, assopra em Fulano lembranças de mim", in O Selvagem, de Couto Magalhães.

Só não há determinismo onde há o mistério. Mas que temos nós com isso?
Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra9. O mundo não datado. Não rubricado.
Sem Napoleão. Sem César.
A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria. E os transfusores de sangue.
Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.
Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu10: - É mentira muitas vezes repetida.
Mas não foram cruzados11 que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti12.
Se Deus é a consciência do universo Incriado, guaraci13 é a mãe dos viventes. Jaci13 é a mãe dos vegetais.
Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.
As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.
De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.
O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha14: Ignorância real das coisas + fala (sic.) de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.
É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.
O objetivo criado reage como os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?
Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.
Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria15, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.
A alegria é a prova dos nove16.
No matriarcado de Pindorama17.
Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.
9Referência ao ciclo das grandes descobertas ultramarinas portuguesas iniciadas em 1421, sob o comando do infante Dom Henrique, filho de Dom João I, que, para o Reino de Portugal, culminou com a Descoberta do Brasil em 1500; o acidente geográfico mencionado por Oswald é a conhecida Ponta de Sagres, ou seja, um cabo formado por rochas elevadas, lugar ermo e de beleza trágica de onde teriam partido as primeiras expedições oceânicas portuguesas, ou seja, a expansão do homem europeu; na realidade, estas expedições
sob o comando do infante Dom Henrique partiram da Vila de Lagos, localizada a cerca de 30 km a leste da Ponta de Sagres, na região do Algarve.
10 José da Silva Lisboa, economista do início do século XIX que, tendo adotado a política liberal do Marquês de Pombal, posicionou-se contrário à permanência jesuíta no Brasil.
11Moeda portuguesa feita de ouro ou prata.
12Réptil da ordem dos quelônios e da família das tartarugas; habitante das matas brasileiras, nas religiões indígenas representa a perseverança e a força.
13Guaraci e Jaci: entidades divinas indígenas que representam o sol e a lua, respectivamente. São os
dois princípios que governam o mundo.
14 Oswald refere-se à repressão sexual das crianças, as quais eram doutrinadas no sentido da inexistência de vida sexual na procriação; à cegonha era atribuída a função de entregar os bebês aos seus pais.
15Índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz: por alusão a personagens extraídos de obras indianistas, Oswald propõe o repúdio ao aculturamento dos índios pela civilização branca cristã e ocidental.
16Elaboração matemática para comprovar o resultado de operações aritméticas elementares.
17Em tupi, terra de palmeiras; designa, por extensão, o Brasil, cuja costa litorânea era coberta pela planta; a palmeira, desde o poema canção do exílio, do poeta romântico Gonçalves Dias (1823/1864), transformou-se em um dos ícones do país
.

Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimamos as
idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.
Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI18.
A alegria é a prova dos nove.
A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura - ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal,
que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo - a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.
Contra Anchieta19 cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema20, - o patriarca João Ramalho
fundador de São Paulo.
A nossa independência ainda não foi proclamada. Frase típica de D. João VI: - Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça21! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte22.
Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud - a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado23 de Pindorama.
                                                                                                           Oswald de Andrad
                                                     Em Piratininga 24 Ano 374 da Deglutição do  Bispo Sardinha 25   (Revista de Antropofagia, Ano I, No. I, maio de 1928.)
18 Rei de Portugal, que veio para o Brasil-colônia em 1808 com todo seu séquito, fugindo do avanço napoleônico na Europa. Oswald faz referência à usura desmedida dos cortesãos.
19José de Anchieta (1534/1597), padre jesuíta que veio para o Brasil no início da colonização portuguesa e que, a pretexto de catequizar os índios, criou um sistema de desculturação pela arte teatral.
20 Anagrama de América, é também o nome da índia protagonista do romance homônimo de José de Alencar (1829/1877) que, junto com O guarani, se transformou em emblema de brasilidade durante a vigência do romantismo no país.
21Oswald menciona, de forma irônica e jocosa, o ato da Independência do Brasil, ocorrida em 7 de setembro de 1822, protagonizada pelo primogênito do então rei de Portugal. O príncipe português governou até 1831 e ficou conhecido como Dom Pedro I, o primeiro Imperador do Brasil.
22Camponesa portuguesa que liderou uma rebelião, em 1846, contra as opressões político-econômicas de D. Maria da Glória, então rainha de Portugal. Pleiteava, entre outras coisas, a colocação de produtos agrícolas portugueses no mercado interno que estava, na época, dominado por produtos ingleses.
23Oswald fala no matriarcado numa referência à libertação do sujeito, em oposição ao patriarcado, este sim, governado por instituições de poder amplamente castradoras e cheias de interditos.
24Em língua indígena, nome da região onde surgiu a futura cidade de São Paulo.
25Oswald busca uma marcação temporal para a existência brasileira, que no Manifesto começa com o primeiro ato antropófago conhecido oficialmente; o Bispo Sardinha, isto é, Pero Fernandes (?/1556), naufragou no litoral do nordeste brasileiro e morreu como
vítima sacrificial dos índios caetés. Oswald equivocou-se nas datas, acrescentando 2 anos ao tempo decorrido entre a morte do Bispo Sardinha e o ano de publicação do Manifesto Antropófago. Entretanto, Oswald parece desconhecer as cartas de Américo Vespúcio, em uma das quais o aventureiro florentino afirma ter assistido um ritual antropofágico em 1501, na Praia dos Marcos, no Rio Grande do Norte, em que a vítima era um europeu.


A ideia é a turma se dividir em grupos e organizar um manifesto. Falar sobre algo que você queira mudar ou demonstrar sua indignação. A turma terá até o último dia de aula deste bimestre para organizar um vídeo que expresse a sua indignação,ok?
Faremos a postagens dos vídeos em nosso blog, por tanto, caprichem!!!
É só acessar estes endereços abaixo e ver o resultado do trabalho da turma 902/12:
http://www.slideshare.net/mariaclarinha/copa-trabalho-de-artes
http://www.slideshare.net/mariaclarinha/price-tag-etiqueta-de-preo

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

POP ART


Já estamos no final do ano! UAU!!! Passou rápido. Este bimestre fala de uma arte que eu, particularmente gosto muito, a POP ART. Assistam este vídeo sobre esta arte, irá ajudá-los na nossa prova.
Beijos, e divirtam-se!





sexta-feira, 21 de setembro de 2012

VEJAM OS FILMES DE ANIMAÇÃO FEITOS PELAS TURMAS EF 901 E 902. COMENTEM O QUE ACHARAM,OK?

terça-feira, 26 de junho de 2012

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Trabalho de final de bimestre!

PROJETO 5S_stopmotion.pptx - O 4Shared - compartilhamento e armazenamento de arquivos online - baixar - Maria Clara Magalhães

OK, vamos começar! Este trabalho é só o inicio de um filme em stopmotion que iremos fazer.
Clique no link acima e quando aparecer a página da site 4SHARED, clic na faixa azul que diz: Fazer download. Depois aguarde e clic na frase: baixar arquivo e ao aparecer  a janela com o simbolo do Power Point, clic em baixar e assista todos os slides. Para assistir os filmes(janelas pretas nos slides) clic duas vezes,ok?
Divirtam-se e aguardem a nossa próxima aula!

quarta-feira, 13 de junho de 2012


Turma, assistam este vídeo, pois irá ajudá-los em nossa prova!
Não se esqueçam de deixar um comentário sobre o que entederam, ok?



domingo, 20 de maio de 2012

Calvin e o Cubismo!

Muito bem, vamos falar de um movimento que eu, particularmente, gosto muito - o Cubismo. Veja o que o Calvin fala sobre este tema e faça um comentário sobre o que ele diz. Na nossa próxima aula nós iremos discutir sobre o assunto e veremos como este movimento influenciou a nossa arte e a nossa história,ok?
Diálogo dos quadrinhos:
- oh, não tudo subtamente se tornou neo-cubista!
- Tuso começou quando Calvin participou de um pequeno debate com seu pai. Logo Calvin pode ver os dois lados da questão. Então, logo o pobre Calvin pode ver os dois lados de tudo!
- O atual ponto de vista foi abandonado. A perspectiva foi fraturada!
- As visões multiplas fornecem informações demais! É impossível se mover! Calvim rapidamente tenta eliminar todas as perspectivas, exceto uma.
- Deu certo! o mundo caiu numa realidade reconhecida!
- Você ainda está errado, papai!

sábado, 5 de maio de 2012

Noticias!

Queridos alunos,
estamos iniciando nosso 2º bimestre e iremos começá-lo com três notícias interessantes para discutirmos em sala.
No final da página inicial do nosso blog,( BEM NO FINAL) vocês encontraram três notícias sobre as obras de arte de Picasso, Cezanne e Eduard Munch.
VEJAM, QUE IREMOS DISCUTIR SOBRE TODAS ELAS,OK?
Beijos e divirtam-se!

domingo, 1 de abril de 2012

Atividade sobre Modernismo:

PINTURA, MÚSICA E LITERATURA MODERNISTAS:
Pensar sobre letras de música é pensar, inevitavelmente, em um gênero absolutamente poético. E, relações entre poesia e música ocorrem desde a antiguidade clássica, bastando se levar em conta que, na lírica grega, os versos eram acompanhados pela lira, instrumento musical, daí o nome “lírico”. Mesmo as epopéias, as grandes narrativas poéticas atribuídas a Homero, a Ilíada e a Odisséia, são obras divididas por cantos, e não por capítulos. E, de fato, essas obras eram divulgadas pelos aedos, “cantadores” que viajavam por todo o território grego, expressando essas obras oralmente. Somente séculos mais tarde essas obras foram impressas em papel.
O Choro surgiu no Rio de Janeiro em 1870, originando da fusão de ritmos europeus com ritmos afro-brasileiros. Eles utilizavam, entre outros instrumentos, violão, flauta, cavaquinho, que dão à música um aspecto sentimental, melancólico e "choroso". O nome deste estilo musical pode ter sido derivado da palavra xolo, que era um tipo de baile que os escravos faziam no período colonial, ou talvez, pela maneira chorosa que os músicos amaciavam certos ritmos de sua época.
No início do século XX começou a ser cantado, deixando de ser apenas instrumental. Aproxima-se do maxixe e do samba e adquiriu um ritmo mais rápido, agitado e alegre. Nesta mesma época surge o chorinho ou samba-choro, também conhecido como terno, por causa da delicadeza e sutileza de sua melodia.
Modernamente, como afirma o estudioso e professor de literatura Ítalo Morinoni, “muitos textos de diversos (…) poetas foram musicados como canções da MPB e do rock” (2002, p. 14), como no caso de poemas de Camões (pela Legião Urbana), Cecília Meireles (por Fagner), Ferreira Gullar (também por Fagner), para citar alguns. O contrário também ocorreu, quer dizer, algumas canções da MPB passaram a ter suas letras editadas em livros, como se deu com muitos poemas de Vinícius de Moraes e de Arnaldo Antunes, por exemplo.
Mas, podemos encarar a letra de música como poema? Na perspectiva de José Luiz Ladeira e Luiz Eduardo Baronto: “As letras de música são verdadeiros poemas, mas com uma finalidade diferente: elas são feitas pra serem interpretadas acompanhadas de uma música. Esse acompanhamento musical influencia nossa interpretação da letra da música e permite-nos a construção de novos sentidos para o texto”. (LADEIRA, 2008, p. 56)
Exemplos de poesia e letra de música:
POETA MODERNISTA:
Mário de Andrade (1893-1945) nasceu em São Paulo, mostrando desde cedo inclinação pela música e literatura. Seu interesse pelas artes levou-o a realizar em São Paulo, de parceria com Oswald de Andrade, a Semana de Arte Moderna, que rasgou novas perspectivas para a cultura brasileira. Sua obra, essencialmente brasileira, reflete um nacionalismo humanista, que nada tem de místico e abstrato. "Macunaíma", baseada em temas folclóricos é, geralmente, considerada a sua obra-prima.

COMPOSITOR MODERNISTA:

Pixinguinha: Alfredo da Rocha Vianna Jr. (1897 - 1973), o Pixinguinha, é o pai da música brasileira. Normalmente reconhecido "apenas" por ser um flautista virtuoso e um compositor genial, costuma-se desprezar seu lado de maestro e arranjador. Pixinguinha criou o que hoje são as bases da música brasileira. Misturou a então incipiente música de Ernesto Nazareh , Chiquinha Gonzaga e dos primeiros chorões com ritmos africanos, estilos europeus e a música negra americana, fazendo surgir um estilo genuinamente brasileiro. Arranjou os principais sucessos da então chamada época de ouro da música popular brasileira, orquestrando de marchas de carnaval a choros.



Poesia Sobre Amizade

de Mario de Andrade

Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia, sereia.

O nariz, guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.
Carinhoso
Meu coração, não sei por quê
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo,
Mas mesmo assim foges de mim.
Ah se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero.
E como é sincero o meu amor,
Eu sei que tu não fugirias mais de mim.
Vem, vem, vem, vem,
Vem sentir o calor dos lábios meus
À procura dos teus.
Vem matar essa paixão
Que me devora o coração
E só assim então serei feliz,
Bem feliz.
Ah se tu soubesses como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim
Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor dos lábios meus a procura dos teus
Vem matar essa paixão que me devora o coração
E só assim então serei feliz
Bem feliz.


Exemplo de obras de arte Modernistas:

Tarsila do Amaral foi uma das mais importantes pintoras brasileiras do movimento modernista. Nasceu na cidade de Capivari (interior de São Paulo), em 1 de setembro de 1886. No final da década de 1920, Tarsila criou os movimentos Pau-Brasil e Antropofágico. Entre as propostas desta fase, Tarsila defendia que os artistas brasileiros deveriam conhecer bem a arte européia, porém deveriam criar uma estética brasileira, apenas inspirada nos movimentos europeus. Retornou para o Brasil em 1922, formando o "Grupo dos Cinco", junto com Anita Malfatti, Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia. Este grupo foi o mais importante da Semana de Arte Moderna de 1922. Características de suas obras- Uso de cores vivas- Influência do cubismo (uso de formas geométricas)- Abordagem de temas sociais, cotidianos e paisagens do Brasil Estética fora do padrão (influência do surrealismo na fase antropofágica). Morro da Favela – Tarsila do Amaral
Cândido Portinari foi um dos pintores brasileiros mais famosos. Este grande artista nasceu em São Paulo, na data de 29 de dezembro de 1903. Destacou-se também nas áreas de poesia e política. Durante sua trajetória, ele estudou na Escola de Belas-Artes do Rio de Janeiro; visitou muitos países, entre eles, a Espanha, a França e a Itália, onde finalizou seus estudos. No ano de 1935 ele recebeu uma premiação em Nova Iorque por sua obra "Café". Deste momento em diante, sua obra passou a ser mundialmente conhecida. Dentre suas obras, destacam-se: "A Primeira Missa no Brasil", "São Francisco de Assis" e Tiradentes". Seus retratos mais famosos são: seu auto-retrato, o retrato de sua mãe e o do famoso escritor brasileiro Mário de Andrade. Auto- retrato
Emiliano Di Cavalcante: Sem sombra de dúvidas de que Di Cavalcanti foi praticamente o principal responsável pela grande revolução artística modernista no Brasil, pois ele foi idealizador do evento que fez com que isso fosse possível, a Semana da Arte Moderna. Nascido no Estado do Rio de janeiro, Di Cavalcanti além de pintor foi também desenhista, ilustrador e caricaturista. Suas inspirações de pintura eram bem voltadas para o tropical e sensual, onde seus temas prediletos foram populares do país como favelas, soldados, operários, marinheiros, mulheres negras e festas populares. Esses temas levaram Di Cavalcanti a conquistar diversos prêmios em toda sua carreira artística, dentre eles estão o de “Melhor Pintor Brasileiro (1953)” e recebeu uma medalha de ouro em uma exposição que aconteceu na França. As cinco moças de Guaratinguetá
Anita Malfatti foi uma importante e famosa artista plástica (pintora e desenhista) brasileira. Nasceu na cidade de São Paulo, no dia 2 de dezembro de 1889 e faleceu na mesma cidade, em 6 de novembro de 1964.
Estudou pintura em escolas de arte na Alemanha e nos Estados Unidos (estudou na Independent School of Art em Nova Iorque). Em sua passagem pela Alemanha, em 1910, entrou em contato com o expressionismo, que a influenciou muito. Já nos Estados Unidos teve contato com o movimento modernista.
Em 1917, Anita Malfatti realizou uma exposição artística muito polêmica, por ser inovadora, e ao mesmo tempo revolucionária. As obras de Anita, que retratavam principalmente os personagens marginalizados dos centros urbanos, causaram desaprovação nos integrantes das classes sociais mais conservadoras.
Em 1922, junto com seu amigo Mario de Andrade, participou da Semana de Arte Moderna. Ela fazia parte do Grupo dos Cinco, integrado por Malfatti, Mario de Andrade, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia. Entre os anos de 1923 e 1928 foi morar em Paris. Retornou à São Paulo em 1928 e passou a lecionar desenho na Universidade Mackenzie até o ano de 1933. Em 1942, tornou-se presidente do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo. Entre 1933 e 1953, passou a lecionar desenho nas dependências de sua casaA boba, 1915

Atividade:
As três obras abaixo são representações artísticas do poeta Mario de Andrade. Cândico Portinari, Tarsila do Amaral e Anita Malfati, retrataram o poeta do modo como eles o viam. Identifique, de acordo com o texto acima, quem pintou as obras e escolha qual a que melhor representa o poema de Mario de Andrade: Poesia sobre Amizade.
   








quinta-feira, 15 de março de 2012

Moderno, Modernismo, Modernização?

Um apanhado de informações sobre o Movimento Modernista Brasileiro

Modernismo no Brasil

Para você entender o modernismo no Brasil, primeiro tem que entender o modernismo em um apanhado geral, o modernismo de forma e ângulo global.
O modernismo foi um movimento artístico que se iniciou na primeira metade do século XX, e ganhou mais espaço após a segunda guerra mundial. O modernismo foi uma forma de tentar mudar a arte ultrapassada de que tudo deveria ser imitado da realidade, que o inexpressivo era bonito, que se deveriam congelar as paisagens. Desta forma surgiu o modernismo, o moderno, para inovar, para mudar essa forma de tudo certo, era a hora de sonhar, imaginar, dormir fazendo arte. No Brasil, como tudo, o modernismo chegou atrasado, e por isso as altas camadas da sociedade detestaram a idéia.
As principais figuras no Brasil foram: Mário e Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Villa Lobos, Menotti Del Pichia, Manuel Bandeira, entre outros.
A Semana de Arte Moderna (1922) é considerada o marco inicial do Modernismo brasileiro. A Semana ocorreu entre 13 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, com participação de artistas de São Paulo e do Rio de Janeiro. O evento contou com apresentação de conferências, leitura de poemas, dança e música. O Grupo dos Cinco, integrado pelas pintoras Tarsila do Amaral e Anita Malfatti e pelos escritores Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia, liderou o movimento que contou com a participação de dezenas de intelectuais e artistas, como Manuel Bandeira, Di Cavalcanti, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, entre muitos outros. Os modernistas ridicularizavam o parnasianismo, movimento artístico em voga na época que cultivava uma poesia formal. Propunham uma renovação radical na linguagem e nos formatos, marcando a ruptura definitiva com a arte tradicional. Cansados da mesmice na arte brasileira e empolgados com inovações que conheceram em suas viagens à Europa, os artistas romperam as regras preestabelecidas na cultura. Na Semana de Arte Moderna foram apresentados quadros, obras literárias e recitais inspirados em técnicas da vanguarda européia, como o dadaísmo, o futurismo, o expressionismo e o surrealismo, misturados a temas brasileiros. Os participantes da Semana de 1922 causaram enorme polêmica na época. Sua influência sobre as artes atravessou todo o século XX e pode ser entendida até hoje.
A primeira fase do Modernismo: O movimento modernista no Brasil contou com duas fases: a primeira foi de 1922 a 1930 e a segunda de 1930 a 1945. A primeira fase caracterizou-se pelas tentativas de solidificação do movimento renovador e pela divulgação de obras e idéias modernistas. Os escritores de maior destaque dessa fase defendiam estas propostas: reconstrução da cultura brasileira sobre bases nacionais; promoção de uma revisão crítica de nosso passado histórico e de nossas tradições culturais; eliminação definitiva do nosso complexo de colonizados, apegados a valores estrangeiros. Portanto, todas elas estão relacionadas com a visão nacionalista, porém crítica, da realidade brasileira. Várias obras, grupos, movimentos, revistas e manifestos ganharam o cenário intelectual brasileiro, numa investigação profunda e por vezes radical de novos conteúdos e de novas formas de expressão. Entre os fatos mais importantes, destacam-se a publicação da revista Klaxon, lançada para dar continuidade ao processo de divulgação das idéias modernistas, e o lançamento de quatro movimentos culturais: o Pau-Brasil, o Verde-Amarelismo, a Antropofagia e a Anta. Esses movimentos representavam duas tendências ideológicas distintas, duas formas diferentes de expressar o nacionalismo. O movimento Pau-Brasil defendia a criação de uma poesia primitivista, construída com base na revisão crítica de nosso passado histórico e cultural e na aceitação e valorização das riquezas e contrastes da realidade e da cultura brasileiras. A Antropofagia, a exemplo dos rituais antropofágicos dos índios brasileiros, nos quais eles devoram seus inimigos para lhes extrair força, Oswald propõe a devoração simbólica da cultura do colonizador europeu, sem com isso perder nossa identidade cultural. Em oposição a essas tendências, os movimentos Verde-Amarelismo e Anta, defendiam um nacionalismo ufanista, com evidente inclinação para o nazifascismo. Dentre os muitos escritores que fizeram parte da primeira geração do Modernismo destacamos Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Alcântara Machado, Menotti del Picchia, Raul Bopp, Ronald de Carvalho e Guilherme de Almeida.
À década de 30, início da segunda fase modernista, coube sedimentar e oficializar as conquistas modernistas.
Movimentos artísticos europeus, principalmente o Expressionismo e o Cubismo inspiravam então artistas como Cândido Portinari, Guignard e Bruno Giorgi. Dois outros importantes nomes dessa fase modernista como Ismael Nery e Cícero Dias (Cícero principalmente em suas primeiras obras) eram mais pautados pelo Surrealismo. O poder público passa a apoiar o Modernismo e se São Paulo tinha sido o principal foco difusor dos primeiros tempos do Modernismo, agora caberia ao Rio de Janeiro esse papel. A passagem de Le Corbusier e Frank Lloyd Wright pelo Brasil (1929 e 1931) chama a atenção dos artistas para as possibilidades da integração das artes, renovando a arquitetura brasileira, nela incluindo a nova pintura, escultura, paisagismo e decoração. A temática social passaria ser grande fonte de inspiração para a geração Modernista dessa década e a técnica, que tinha assumido uma posição secundária durante os anos 20, volta a ser valorizada. Surgiam importantes focos como o Núcleo Bernardelli (1931 - 1940) no Rio de Janeiro, preocupado em democratizar o ensino de artes plásticas e apontando para um Modernismo moderado.  Em 1934, marca uma grande diferenciação no Modernismo brasileiro: ao invés dos intelectuais que lideravam suas primeiras manifestações, outro grupo reunia artistas de origem proletária, que costumavam exercer profissões artesanais e com forte tradição italiana (devido à imigração intensa em São Paulo no período), cultivando temas mais intimistas e cotidianos.
O Modernismo até então, salvo alguns esforços de artistas isolados, permanecia restrito ao eixo Rio-São Paulo. Em 1944, uma exposição modernista em Minas Gerais, patrocinada pela prefeitura da capital do estado na gestão de Juscelino Kubitschek, marcaria o início do Modernismo nesse estado. Minas então passaria a ser extremamente importante para o movimento no período, produzindo grandes artistas. O ano de 1944 também marca o início do Modernismo baiano, seguido pelo Paraná e Recife (este último em 1948). O Ceará já desde 1941 abrigava manifestações Modernistas. Entretanto, é importante lembrar que o Modernismo brasileiro surgiu com a intenção de ser um movimento de vanguarda, numa época em que na Europa estava havendo um refluxo e uma tendência contrária, a de volta à ordem.
Enquanto a Europa procurava romper com o peso da arte passada e o abstracionismo era extremamente valorizado, no Brasil o Modernismo assumia mais a função de promover uma atualização da arte brasileira capaz de ajudar na consolidação da identidade nacional e não abria mão do figurativismo. As vanguardas européias tinham caráter universal, enquanto o Modernismo brasileiro buscava expressar as particularidades nacionais, assimilando para isso aquilo que lhe interessava nas propostas de arte Moderna que chegavam do velho continente.
A partir principalmente de meados da década de 40 e o pós-guerra uma arte não-figurativa começa a ser praticada e valorizada por artistas brasileiros. Principalmente na década de 50 o abstracionismo surge como forte expressão modernista. Inspirados no neoplasticismo, construtivismo, na Bauhaus e no artista americano Max Bill começam as primeiras manifestações do Movimento Concreto em São Paulo e no Rio de Janeiro. O abstracionismo calculado matematicamente, o anti-romantismo, a integração das artes e o racionalismo eram valorizados pelos concretistas. Em São Paulo surge o grupo Ruptura, liderado por Waldemar Cordeiro, mais ortodoxo e contrário à subjetividade.
No Rio de Janeiro, em torno de Ivan Serpa, surge o Grupo Frente, menos homogêneo que o paulista e mais baseado na liberdade de criação. A I Exposição Nacional de Arte Concreta intensifica as divergências entre os grupos das duas cidades. Surge então o neo-concretismo, originado principalmente a partir do grupo carioca, contrário à rigidez concretista dos paulistas e mais preocupado com a expressão. A experimentação passa a ser de extremo valor para os neo-concretos. Destacam-se os neo-concretos Lygia Clark e Hélio Oiticica como artistas de grande contribuição para a discussão do papel da arte e do artista, permanecendo como importantes figuras de vanguarda nacional, mesmo após a dissolução do movimento. Um abstracionismo mais lírico também marcou presença na década de 50, bem como a influência do expressionismo abstrato norte-americano. Manabu Mabe foi um dos artistas nipo-brasileiros mais receptivos à essas tendências. Os anos 60 marcam o fim do Modernismo Brasileiro, sendo extremamente diversificada a produção artística no país nas décadas seguintes.